TIPOS DE CÂNCER
TIPOS DE CÂNCER
O câncer de endométrio é o sexto câncer mais comum em mulheres, com 417.000 novos diagnósticos feitos globalmente em 2020. O risco de câncer de endométrio ao longo da vida de uma mulher é de aproximadamente 3%, com uma idade média de diagnóstico de 61 anos. A incidência geral aumentou 132% nos últimos 30 anos, refletindo um aumento na prevalência de fatores de risco; em particular, a obesidade e o envelhecimento da população. A maior taxa de câncer de endométrio é atualmente observada na América do Norte (86,6/100.000), e no Brasil chegou a 6540 novos casos em 2020 (INCA).
O câncer de endométrio geralmente se apresenta em um estágio inicial com sangramento pós-menopausa, mas apenas 5 a 10% das mulheres com sangramento pós-menopausa têm alguma doença predisponente. A probabilidade de câncer endometrial como causa de sangramento pós-menopausa é inferior a 1% em mulheres com menos de 50 anos, subindo para 3% naquelas com 55 anos e 24% naquelas com mais de 80 anos. Cerca de 15% dos diagnósticos são feitos na pré-menopausa, onde sangramento intenso, prolongado ou intermenstrual são queixas comuns de apresentação, sendo este último mais preditivo de câncer de endométrio. As decisões para investigar mulheres mais jovens devem ser guiadas por fatores de risco, particularmente a presença de história familiar indicativa, obesidade e síndrome dos ovários policísticos (SOP).
Mulheres na pré-menopausa sintomáticas com índice de massa corporal (IMC) maior que 30 kg/m² têm cinco vezes mais chances de serem diagnosticadas com câncer de endométrio do que mulheres com peso saudável (IMC 18,5–25 kg/m²), naquelas com IMC maior que 40 kg/m² essa probabilidade é 20 vezes maior. Infelizmente sintomas como distensão abdominal, dor e disfunção urinária ou intestinal costumam aparecer mais na doença localmente avançada.
O diagnóstico baseia-se na biópsia de uma amostra de tecido endometrial, mas este teste invasivo é reservado para pacientes que têm doença endometrial ou endométrio espessado na ultrassonografia transvaginal. Em mulheres na pré-menopausa, a ultrassonografia transvaginal é bem inespecífica, uma vez que a espessura endometrial flutua ciclicamente em mulheres saudáveis em idade reprodutiva. A histeroscopia ambulatorial permite a amostragem direta de lesões suspeitas e é recomendada quando há uma doença ou alteração endometrial focal identificada em uma ultrassonografia ou para mulheres com sintomas recorrentes.
A avaliação pré-operatória de mulheres com câncer de endométrio pode incluir uma ressonância magnética, para estimar a profundidade da invasão do miométrio, avaliar o estado dos linfonodos pélvicos e identificar a doença extrauterina. Já as tomografias computadorizadas do tórax, abdome e pelve são usadas para identificar doenças extrauterinas ou metástases em mulheres com histologia de alto grau.
A obesidade apresenta desafios para diagnóstico e tratamento e mais pesquisas são necessárias para oferecer prevenção primária a mulheres de alto risco e otimizar a sobrevivência ao câncer de endométrio. O estadiamento cirúrgico minimamente invasivo e a biópsia do linfonodo sentinela fornecem uma alternativa de baixa morbidade ao tratamento cirúrgico sem comprometer os resultados oncológicos. A radioterapia adjuvante reduz a recorrência loco-regional em casos de risco intermediário e alto. Os avanços em nossa compreensão da biologia molecular do câncer de endométrio abrem caminho para estratégias quimioterápicas mais direcionadas, e os estudos em curso estabelecerão seu benefício em configurações de adjuvância, doenças avançadas e recorrentes. Converse com seu médico ou um especialista sobre como você pode diminuir os riscos de desenvolver esse tipo de câncer.
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